Seja Bem Vindo ao Blog Transgredindo a Ordem!!!
Este espaço foi criado porque sou um ser social e não há sentido na expressão que não é compartilhada para agraciar as pessoas seja pela identificação, seja pela orientação, pela inspiração ou pela contemplação.
Sou uma pessoa que escreve porque sente antes mesmo de pensar, e através da escrita procura elaborar suas experiências humanas com toda intensidade que ser humano exige... Sentir, dar-me conta do que sinto e expressar por si só é bem mais do que apenas sobreviver!!!
Sou uma pessoa que escreve porque sente antes mesmo de pensar, e através da escrita procura elaborar suas experiências humanas com toda intensidade que ser humano exige... Sentir, dar-me conta do que sinto e expressar por si só é bem mais do que apenas sobreviver!!!
terça-feira, 27 de julho de 2010
A Canção dos Homens
“Quando uma mulher, que certa tribo da África, sabe que está grávida, segue para a selva com outras mulheres e juntas rezam e meditam até que aparece a ‘canção da criança’.
Quando nasce a criança, a comunidade se junta e lhe cantam a sua canção.
Logo, quando a criança começa a sua educação, o povo se junta e lhe cantam sua canção.
Quando se torna adulto, a gente se junta novamente e canta.
Quando chega o momento do seu casamento, a pessoa escuta a sua canção.
Finalmente quando sua alma está para ir-se deste mundo, a família e amigos aproximam-se e, igual como em seu nascimento, cantam a canção para acompanhá-lo na ‘viagem’.
Nesta tribo da África há outra ocasião na qual os homens cantam a canção.
Se em algum momento da vida a pessoa comete um crime ou um ato social aberrante, o levam até o centro do povoado e a gente da comunidade forma um círculo ao seu redor. Então lhe cantam a sua canção.
A tribo reconhece que a correção para as condutas anti-sociais não é o castigo, é o amor e a lembrança de sua verdadeira identidade.
Quando reconhecemos nossa própria canção já não temos desejos sem necessidade de prejudicar ninguém.
Teus amigos conhecem a ‘tua canção’ e a cantam quando a esqueces.
Aqueles que te amam não podem ser enganados pelos erros que cometes ou as escuras imagens que mostras aos demais.
Eles recordam tua beleza quando te sentes feio; tua totalidade quando estás quebrado; tua inocência quando te sentes culpado e teu propósito quando estás confuso.”
Tolba Phanem
Quando nasce a criança, a comunidade se junta e lhe cantam a sua canção.
Logo, quando a criança começa a sua educação, o povo se junta e lhe cantam sua canção.
Quando se torna adulto, a gente se junta novamente e canta.
Quando chega o momento do seu casamento, a pessoa escuta a sua canção.
Finalmente quando sua alma está para ir-se deste mundo, a família e amigos aproximam-se e, igual como em seu nascimento, cantam a canção para acompanhá-lo na ‘viagem’.
Nesta tribo da África há outra ocasião na qual os homens cantam a canção.
Se em algum momento da vida a pessoa comete um crime ou um ato social aberrante, o levam até o centro do povoado e a gente da comunidade forma um círculo ao seu redor. Então lhe cantam a sua canção.
A tribo reconhece que a correção para as condutas anti-sociais não é o castigo, é o amor e a lembrança de sua verdadeira identidade.
Quando reconhecemos nossa própria canção já não temos desejos sem necessidade de prejudicar ninguém.
Teus amigos conhecem a ‘tua canção’ e a cantam quando a esqueces.
Aqueles que te amam não podem ser enganados pelos erros que cometes ou as escuras imagens que mostras aos demais.
Eles recordam tua beleza quando te sentes feio; tua totalidade quando estás quebrado; tua inocência quando te sentes culpado e teu propósito quando estás confuso.”
Tolba Phanem
quinta-feira, 8 de julho de 2010
DEUS, sim eu acredito!!!

Existem pessoas que não acreditam em Deus, mas eu prefiro acreditar. Fui ensinada assim e mais tarde eu mesma fiz esta opção. Lembro de Deus nos momentos tristes e nos momentos alegres. Hoje estou vivendo uma situação chata. Estou com uma doença que insiste em permanecer no meu corpo após 3 anos de tratamento. É obvio que me sinto frustrada, chateada! E por isso nesta semana, estou pedindo a Deus direção para o próximo passo. Talvez eu tenha até que entrar na faca (Ufa!). Nestes momentos desafiadores é confortante acreditar e lembrar que há um Deus que cuida de nós...
As palavras abaixo são de Israel Belo de Azevedo Pastor Batista e Blogueiro do Jornal Extra:
Deus sinaliza a sua presença
São muito os sinais da presença de Deus para conosco.
Ele sinaliza sua presença quando nos prepara para a luta.
Ele sinaliza sua presença quando permite que sejamos afiados pelo ferro.
Ele sinaliza sua presença quando evita que trafeguemos pela território dos nossos inimigos*.
Ele sinaliza sua presença quando nos livra das dificuldades e quando não nos livra.
Ele sinaliza sua presença quando nos põe em marcha, seja nos oásis, seja nos desertos.
Ele sinaliza sua presença quando nos põe em marcha, seja nos oásis, seja nos desertos.
Ele sinaliza sua presença quando nos manda para o deserto e nos deixa lá por um tempo.
Ele sinaliza sua presença quando nos sopra ao coração como discernir o certo do errado.
Ele sinaliza sua presença quando nos dá força para vida, embora já não tenhamos nenhuma.
Ele sinaliza sua presença quando evita que enfrentemos dificuldades maiores do que as que podemos superar.
Ele sinaliza sua presença quando nos ensina a viver num mundo hostil que nos diz que melhor é o fácil, o rápido e o forte, para que não acreditemos que é melhor o fácil, o rápido e o forte.
*território dos nossos inimigos = minha paráfrase para terra dos filisteus.
sábado, 26 de junho de 2010
Com o que você sonha quando está dormindo??

Os sonhos são mensagens enigmáticas cheias de códigos secretos que enviamos para nós mesmos.
Os sonhos muitas vezes lembram os filmes e os protagonistas somos nós, mesmo que uma outra face assuma nosso lugar. Nos sonhos falamos o que não temos coragem de falar. Agimos como não temos coragem de agir. Sentimos o que não nos permitimos sentir.
Nossos sonhos revelam nossa verdadeira essência escondida debaixo das máscaras do dia-a-dia. Eles revelam a verdade que está estampada debaixo de nossos narizes mas de que tanto fugimos.
Os sonhos nos inspiram a desafiar a fragilidade dos papéis que representamos na vida.
Os sonhos são uma conexão com o nosso lado misterioso, com o nosso insconciente que nos governa sem que percebamos o quão ele é poderoso...
Os sonhos, assim como a arte tem uma função comum: despertar em nós emoções/pulsões que estão adormecidas, mas que moram em nós, em nossa alma, em nosso corpo...
Eu acho que é por isso que dormir é tão importante, acordamos refeitos em todos os sentidos.
quinta-feira, 17 de junho de 2010
Diz a verdade... Eu sou uma gata!!!
Se eu pudesse resumir minhas férias em uma palavra seria: preguiça. Eu até tinha uns projetos em que tinha que agir, me movimentar, mas o meu corpo, minha mente, minha disposição estavam em marcha lenta. Decidi não lutar contra isso a despeito de ser certo ou errado. É claro que senti uma pontinha de culpa, mas não deixei a bicha me influenciar não. Vivi umas férias deliciosamente preguiçosas.Voltei de férias esta semana e ainda me sinto tão preguiçosa... Se eu pudesse não faria mais nada da vida... Claro que existem as coisas que ainda quero alcançar na vida, mas agora eu não quero correr e sim me arrastar. Não é me arrastar porque me sinto pesada de cansaço, mas arrastar meus pés pela vida sem pressa, sem correria, deixando a vida acontecer, quase que deixando a vida me levar.
Estou tão preguiçosa que não consigo nem mesmo filosofar sobre este meu estado de espírito, nesta semana quando li meu mestre Rubem Alves descrevendo a filosofia do gato, soube muito bem do que ele estava falando, aliás, vi nos seus escritos uma tradução de tudo o que eu estava sentindo. Por isso, transcrevo aqui alguns fragmentos da Filosofia do gato de Rubem Alves:
“Camus observou que o caracteriza os seres humanos é a sua recusa em ser o que são. Eles não estão felizes com o que são. Querem ser outros, diferentes. Por isso, somos neuróticos, revolucionários e artistas. Do sentimento de revolta surgem as criações que nos fazem grandes. Mas nesse momento eu não quero ser grande. Quero simplesmente ter a saúde de corpo e de alma que tem o meu gato. Ele está feliz em sua condição de gato. Não pensa em criações que o farão grande.
Deitado ao lado do aquecedor (que manhã mais fria!), ele se entrega sem pensar, às delícias do calor macio. Nesse momento ele é um monge budista: nenhum desejo o perturba. Desejos são perturbações na tranqüilidade da alma. Ter um desejo é estar infeliz: falta-me uma coisa, por isso desejo... Mas para o meu gato nada falta. Ele é um ser completo. Por isso ele pode entregar-se ao sabor do momento presente sem desejar nada. E esse “entregar-se ao momento presente sem desejar nada” tem o nome de preguiça. Preguiça é a virtude dos seres que estão em paz com a vida”.
Estou tão preguiçosa que não consigo nem mesmo filosofar sobre este meu estado de espírito, nesta semana quando li meu mestre Rubem Alves descrevendo a filosofia do gato, soube muito bem do que ele estava falando, aliás, vi nos seus escritos uma tradução de tudo o que eu estava sentindo. Por isso, transcrevo aqui alguns fragmentos da Filosofia do gato de Rubem Alves:
“Camus observou que o caracteriza os seres humanos é a sua recusa em ser o que são. Eles não estão felizes com o que são. Querem ser outros, diferentes. Por isso, somos neuróticos, revolucionários e artistas. Do sentimento de revolta surgem as criações que nos fazem grandes. Mas nesse momento eu não quero ser grande. Quero simplesmente ter a saúde de corpo e de alma que tem o meu gato. Ele está feliz em sua condição de gato. Não pensa em criações que o farão grande.
Deitado ao lado do aquecedor (que manhã mais fria!), ele se entrega sem pensar, às delícias do calor macio. Nesse momento ele é um monge budista: nenhum desejo o perturba. Desejos são perturbações na tranqüilidade da alma. Ter um desejo é estar infeliz: falta-me uma coisa, por isso desejo... Mas para o meu gato nada falta. Ele é um ser completo. Por isso ele pode entregar-se ao sabor do momento presente sem desejar nada. E esse “entregar-se ao momento presente sem desejar nada” tem o nome de preguiça. Preguiça é a virtude dos seres que estão em paz com a vida”.
domingo, 6 de junho de 2010
Pensando Sobre a Vida

O que digo aqui parece óbvio, mas não tão óbvio quando se é humano, complexo e paradoxal...
I
As feridas fazem parte da vida, por isso não devem ser ignoradas e precisam de atenção e cuidado para que possam sarar.
Em muitos casos não sabemos o que fazer com nossas feridas, ou as ignoramos ou as valorizamos demais, lançando-as em rosto alheio toda vez em que fazemos contato com outros. Muitos já não sabem falar de mais nada além de suas feridas. Suas almas encontram-se cancerosas, sem esperança, quase mortas...
Muitos só sabem que ainda estão vivos por causa da dor que lhes atormentam noite e dia.
E eu digo, meu Deus, quanta escuridão! A vida não é apenas isso, não é apenas um rastro de dor e destruição, vamos abrir uma janela e deixar o sol entrar e iluminar esta casa!
As feridas fazem parte da vida, por isso não devem ser ignoradas e precisam de atenção e cuidado para que possam sarar.
Em muitos casos não sabemos o que fazer com nossas feridas, ou as ignoramos ou as valorizamos demais, lançando-as em rosto alheio toda vez em que fazemos contato com outros. Muitos já não sabem falar de mais nada além de suas feridas. Suas almas encontram-se cancerosas, sem esperança, quase mortas...
Muitos só sabem que ainda estão vivos por causa da dor que lhes atormentam noite e dia.
E eu digo, meu Deus, quanta escuridão! A vida não é apenas isso, não é apenas um rastro de dor e destruição, vamos abrir uma janela e deixar o sol entrar e iluminar esta casa!
O sol nasce e está no mesmo lugar todos os dias, mas só o vê quem abre a janela.
II
É inútil querer mudar os outros, talvez esta seja a maior das minhas frustrações...
Eu gostaria de mudar muitas realidades, muitos rostos, muitos corações, mas não posso! Eu não tenho este poder!
E ironicamente esta é a minha maior liberdade! A possibilidade da minha felicidade só existe porque me descobri destituída deste poder.
III
Não é nos outros que devemos encontrar respostas para o que está sem explicação e sim em nós mesmos.
Em alguns momentos só o que encontraremos será vazio e perplexidade, não é necessário ter medo do vazio, é preciso vivê-lo como aquele silêncio gostoso em que gozam as pessoas que se querem bem.
Existem vazios que nunca serão preenchidos a não ser com a paz da ignorância, isto se chama confiança ou fé!
IV
O autoconhecimento não precisa ser uma tortura, embora em alguns momentos ele seja realmente muito doloroso.
Não é à toa que fugimos da verdade através das projeções, das racionalizações, e etc. Olhar para dentro de si exige coragem, amor próprio e respeito.
O autoconhecimento não é para os fracos, é apenas para aqueles que estão dispostos a romper com a frágil personalidade que foi forjada na família, na escola e quem sabe igreja ou outra instituição durante a infância e a adolescência, pois há de se questionar todos os valores e princípios incultidos durante estas fases. O que for bom, preserva-se e o que foi destrutivo descarta-se. Parece simples, mas não é, em muitas vezes nossa mente está fundamentada em bases destrutivas e abandoná-las e perder parte do eu. Perder parte do eu é um prenúncio da própria morte.
Mas perder parte do eu é o que nos possibilita uma nova vida, assim como acontece com a borboleta, que perde o casulo para ganhar os ares. Penso que precisamos manter esta perspectiva até mesmo quando uma tragédia pessoal nos abate, pois se soubermos como fazê-lo sempre ganharemos algo com as perdas.
V
Demorou, mas não resisto mais a idéia de ser livre.
Ser livre é ser justa e ser dona apenas das minhas escolhas.
II
É inútil querer mudar os outros, talvez esta seja a maior das minhas frustrações...
Eu gostaria de mudar muitas realidades, muitos rostos, muitos corações, mas não posso! Eu não tenho este poder!
E ironicamente esta é a minha maior liberdade! A possibilidade da minha felicidade só existe porque me descobri destituída deste poder.
III
Não é nos outros que devemos encontrar respostas para o que está sem explicação e sim em nós mesmos.
Em alguns momentos só o que encontraremos será vazio e perplexidade, não é necessário ter medo do vazio, é preciso vivê-lo como aquele silêncio gostoso em que gozam as pessoas que se querem bem.
Existem vazios que nunca serão preenchidos a não ser com a paz da ignorância, isto se chama confiança ou fé!
IV
O autoconhecimento não precisa ser uma tortura, embora em alguns momentos ele seja realmente muito doloroso.
Não é à toa que fugimos da verdade através das projeções, das racionalizações, e etc. Olhar para dentro de si exige coragem, amor próprio e respeito.
O autoconhecimento não é para os fracos, é apenas para aqueles que estão dispostos a romper com a frágil personalidade que foi forjada na família, na escola e quem sabe igreja ou outra instituição durante a infância e a adolescência, pois há de se questionar todos os valores e princípios incultidos durante estas fases. O que for bom, preserva-se e o que foi destrutivo descarta-se. Parece simples, mas não é, em muitas vezes nossa mente está fundamentada em bases destrutivas e abandoná-las e perder parte do eu. Perder parte do eu é um prenúncio da própria morte.
Mas perder parte do eu é o que nos possibilita uma nova vida, assim como acontece com a borboleta, que perde o casulo para ganhar os ares. Penso que precisamos manter esta perspectiva até mesmo quando uma tragédia pessoal nos abate, pois se soubermos como fazê-lo sempre ganharemos algo com as perdas.
V
Demorou, mas não resisto mais a idéia de ser livre.
Ser livre é ser justa e ser dona apenas das minhas escolhas.
terça-feira, 25 de maio de 2010

“Quem passa pela dor costuma ficar em silêncio”.
“Escrever ajuda o sofredor a expurgar sua dor”.
Faz tempo que não escrevo no blog e nem em lugar nenhum. Não quero deixar o blog abandonado, pois quando iniciei este blog tinha a intenção de fazer da escrita uma prática quase diária... Mas a verdade é que só escrevo em surtos.
Observar esta minha realidade me fez pensar no que realmente me faz escrever. Posso afirmar que escrever para mim significa sobretudo expurgar minha dor, denunciar o que me fere, o que me incomoda, o que me machuca. Escrevo também quando estou ansiosa, pois escrever me acalma... Não tenho escrito porque não estou sofrendo, estou fora de qualquer crise aguda ou crônica da alma, ou seja, o sofrimento não inunda minha alma como há algum tempo atrás.
Quando olho para trás, percebo que aquela fase carregada realmente passou. Se foram as nuvens plúmbeas, a tempestade, a enxurrada de dor, a devastação. Me sinto leve, bem leve, consigo até respirar melhor... Finalmente estou livre para elaborar projetos de paz e felicidade e viver melhor.
A nossa vida não transcorre numa linearidade, pelo contrário, ela é cíclica, fatos que vivemos ontem se apresentarão novamente para nós em algum lugar do futuro. A forma como lidamos com estes fatos no passado definirão como os receberemos no futuro. Creio que em minha alma, na alma de todos existe um espaço, um quarto destinado à dor, ao sofrimento. O que aconteceu comigo, é que o meu quarto do sofrimento estava tão abarrotado, que explodiu, supurou como uma úlcera e inundou tudo o que estava pela frente. Águas jorrando com uma força violenta, implodindo o meu corpo... Caos era só o que se via pela frente. Toda minha visão e meus humores foram tingidos de cinza chumbo.
O quarto continua lá, mas o conteúdo dele está minimizado... Foi elaborado, digerido, processado... E hoje quando olho para este mesmo mar, para este rio, para estas águas, tudo parece muito tranqüilo, finalmente a bonança chegou!
Hoje falando do sofrimento, falo do alto de uma maturidade que me impressiona, mas quando a dor vem, sempre o sentimento primeiro é o daquela menina que fui e que ainda mora em mim... Desconfio da dor, ela me ameaça, não quero nem vê-la, muito menos aceita-la. E será sempre assim, o que muda é que não é a menina que fala por último, nem a que fala mais alto.
Faz tempo que não escrevo no blog e nem em lugar nenhum. Não quero deixar o blog abandonado, pois quando iniciei este blog tinha a intenção de fazer da escrita uma prática quase diária... Mas a verdade é que só escrevo em surtos.
Observar esta minha realidade me fez pensar no que realmente me faz escrever. Posso afirmar que escrever para mim significa sobretudo expurgar minha dor, denunciar o que me fere, o que me incomoda, o que me machuca. Escrevo também quando estou ansiosa, pois escrever me acalma... Não tenho escrito porque não estou sofrendo, estou fora de qualquer crise aguda ou crônica da alma, ou seja, o sofrimento não inunda minha alma como há algum tempo atrás.
Quando olho para trás, percebo que aquela fase carregada realmente passou. Se foram as nuvens plúmbeas, a tempestade, a enxurrada de dor, a devastação. Me sinto leve, bem leve, consigo até respirar melhor... Finalmente estou livre para elaborar projetos de paz e felicidade e viver melhor.
A nossa vida não transcorre numa linearidade, pelo contrário, ela é cíclica, fatos que vivemos ontem se apresentarão novamente para nós em algum lugar do futuro. A forma como lidamos com estes fatos no passado definirão como os receberemos no futuro. Creio que em minha alma, na alma de todos existe um espaço, um quarto destinado à dor, ao sofrimento. O que aconteceu comigo, é que o meu quarto do sofrimento estava tão abarrotado, que explodiu, supurou como uma úlcera e inundou tudo o que estava pela frente. Águas jorrando com uma força violenta, implodindo o meu corpo... Caos era só o que se via pela frente. Toda minha visão e meus humores foram tingidos de cinza chumbo.
O quarto continua lá, mas o conteúdo dele está minimizado... Foi elaborado, digerido, processado... E hoje quando olho para este mesmo mar, para este rio, para estas águas, tudo parece muito tranqüilo, finalmente a bonança chegou!
Hoje falando do sofrimento, falo do alto de uma maturidade que me impressiona, mas quando a dor vem, sempre o sentimento primeiro é o daquela menina que fui e que ainda mora em mim... Desconfio da dor, ela me ameaça, não quero nem vê-la, muito menos aceita-la. E será sempre assim, o que muda é que não é a menina que fala por último, nem a que fala mais alto.
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