sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Ainda no mês dedicado aos professores, um convite à reflexão através da imagem...

O que mudou em 40 anos????
Hoje não oferecerei as respostas, apenas a pergunta!!!

Desconstruções do ser, o caos, estado da minha alma...

Nesta imagem ainda está arrumadinho, porque lá dentro mesmo tem muito mais bagunça e poeira, eiiiiita!!!

O amor não acaba, nós é que mudamos

Martha Medeiros

Um homem e uma mulher vivem uma intensa relação de amor, e depois de alguns anos se separam, cada um vai em busca do próprio caminho, saem do raio de visão um do outro. Que fim levou aquele sentimento? O amor realmente acaba?

O que acaba são algumas de nossas expectativas e desejos, que são subtituídos por outros no decorrer da vida. As pessoas não mudam na sua essência, mas mudam muito de sonhos, mudam de pontos de vista e de necessidades, principalmente de necessidades. O amor costuma ser amoldado à nossa carência de envolvimento afetivo, porém essa carência não é estática, ela se modifica à medida que vamos tendo novas experiências, à medida que vamos aprendendo com as dores, com os remorsos e com nossos erros todos. O amor se mantém o mesmo apenas para aqueles que se mantém os mesmos.

Se nada muda dentro de você, o amor que você sente, ou que você sofre, também não muda. Amores eternos só existem para dois grupos de pessoas. O primeiro é formado por aqueles que se recusam a experimentar a vida, para aqueles que não querem investigar mais nada sobre si mesmo, estão contentes com o que estabeleceram como verdade numa determinada época e seguem com esta verdade até os 120 anos. O outro grupo é o dos sortudos: aqueles que amam alguém, e mesmo tendo evoluído com o tempo, descobrem que o parceiro também evoluiu, e essa evolução se deu com a mesma intensidade e seguiu na mesma direção. Sendo assim, conseguem renovar o amor, pois a renovação particular de cada um foi tão parecida que não gerou conflito.

O amor não acaba. O amor apenas sai do centro das nossas atenções. O tempo desenvolve nossas defesas, nos oferece outras possibilidades e a gente avança porque é da natureza humana avançar. Não é o sentimento que se esgota, somos nós que ficamos esgotados de sofrer, ou esgotados de esperar, ou esgotados da mesmice. Paixão termina, amor não. Amor é aquilo que a gente deixa ocupar todos os nossos espaços, enquanto for bem-vindo, e que transferimos para o quartinho dos fundos quando não funciona mais, mas que nunca expulsamos definitivamente de casa.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Ansiedade hoje

Hoje estou agitada
Mas não chega a um surto de ansiedade...
Hoje me sinto exposta, vulnerável, sensível...
Como se os muros ou redoma que eu usava para me proteger fossem implodidos.
Ainda não vejo o que está além deles,
Só vejo o caos...
Mas isso não me perturba
Quem disse vou arrumar tudo de uma só vez?!
Para cada tarefa há um dia,
Para cada dia há uma tarefa.
Ainda há assuntos que me ameaçam, claro!!
Mas não quero perder o sono os antecipando já que não estão aqui agora.
A ansiedade faz parte da minha natureza, por isso, espero que na próxima vez em que ela vier eu possa tratá-la de como uma querida amiga e não como uma intrusa.
Hoje estou aprendendo a me aceitar por inteiro e não apenas partes,
Aprendendo a viver...
Nada de verdades acabadas,
Nada definitivo,
E hoje apenas estou aprendendo, mas não sei
O que ontem eu pensava que sabia
Descobri que não sabia...
Hoje estou aprendendo,
Aprendendo a desaprender no meu ritmo.
Aceitando minha ignorância,
Em busca de humildade,
Para desfazer-me dos dogmas que construí.
Caminhando ao encontro de novas verdades e um novo sentido para minha existência.

Paula 21.10.2009

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Um surto de ansiedade há um ano atrás...




Estou num surto de ansiedade.
Ele já dura muitos dias, ou mais dias do que eu gostaria que durasse...
Não gosto de me sentir assim...
A minha ansiedade parece um furacão que passa e vai levando tudo, vai destruindo tudo e no fim deixa tudo bagunçado.
Pior é eu ter que arrumar tudo depois...
Pior mesmo é não querer enxergar o que está causando tudo isso.
Eu até sei o caminho, mas como estou tão aérea, etérea, minha mente não contribui...
Sempre ponho o carro na frente dos bois, pois a princípio quero justificar, racionalizar, e não apenas sentir, deixar a emoção falar, isso é ameaçador demais para mim...
Vejo presente em meus surtos de ansiedade o meu desejo de ser indomável, incontrolável, livre, tal qual as forças da natureza.
Vejo também a minha ansiedade fosse uma manifestação contra meu estilo de vida tirânico, controlador, rígido...
Se minha ansiedade for uma mensagem, talvez a seja um grito me mandando parar tudo, fazer uma greve geral!!
Sinto necessidade de tratar minha ansiedade de outra forma, mas quando ela aparece, fico tão enlouquecida que torço para que ela se vá logo.
Se minha ansiedade se materializasse, eu me vejo tentando estrangulá-la, abafá-la, ou então, ignorá-la, fingindo que ela não está ali, torcendo para que da mesma forma que veio, ela se vá...
Mas quanto mais negativamente a trato, mais ela persiste e insiste comigo.
A minha ansiedade é produto da minha personalidade, do meu estilo de vida e eu já devia entender isso, no entanto, quando ela aparece, eu a trato como um corpo estranho, um visitante incômodo e indesejado no meu mundo “perfeito e ordeiro”.
A ansiedade incomoda, mas eu poderia entender que pode ela pode ser um convite para chegar mais ...
Sei que há formas melhores de lidar com minha ansiedade, mas agora eu não consigo agir de outra maneira...
Tudo isso é prova de que não sei lidar com minhas emoções, comigo mesma, com meu mundo interior, com meu universo psíquico.
Saber lidar com nossas emoções não é um aprendizado que nasce conosco, não é algo natural, é adquirido, melhor, construído através da experiência...
Nessas horas seria bom que eu me enxergasse como um ser humano e não como uma extraterrestre.
O ser humano é um ser dual e paradoxal por natureza: “aquilo que eu quero fazer, não faço...”
Olha, eu já aprendi muitas coisas, mas ainda muitas outras que preciso aprender...
Há momentos em que sinto muita preguiça, mudar exige esforço e parece tão bom continuar do jeito que está... É a idéia da zona de conforto. Não mudar é confortável, porém gostaria que entrasse em minha cabeça que a preferência pelo conforto em algumas ocasiões pode ser por demais destrutiva.
O que eu chamo de preguiça, pode muito bem ter outro nome, resistência.
A resistência diz que mudar é perigoso, desconhecido, inseguro ou impróprio...
A resistência diz que não estou autorizada a mudar!
A resistência alimenta minha rigidez, e juntas elas impedem que eu tenha contato com qualquer coisa que seja nova ou diferente, com qualquer coisa que produza mudança...
Mas mudar é inevitável, é algo que não se pode controlar depois de algumas escolhas que fiz...
Eu escolhi entrar em contato, logo, mudamos toda vez que entramos em contato com nossa alma através de outros e com outros, isso é bom apesar de ser ameaçador em algumas vezes...
O medo do novo traz a ansiedade, mas é você e só você decide se quer ou não ir adiante.
Paula
20.10.2008

domingo, 18 de outubro de 2009

O que é certo? Um diálogo entre duas mentes inconformadas Parte II - Paula

Ligia
Acima de qualquer coisa, vejo no teu texto um desabafo...
Não há o que comentar, tudo isso me fez pensar...

Certo, o que é certo?
Certo é ser autêntico ou se enquadrar nos tempos e padrões sociais?
Ninguém deve, ninguém pode ficar à margem daquilo que a sociedade pensa e exige?
Esta palavra certo, do verbo acertar, me fez pensar da forma como fomos criadas, quando falo da forma em que fomos criadas, falo da educação religiosa que tivemos e falo também de tantos outros que não tiveram educação religiosa, mas que são neuróticos, congelados, sementes embotadas no afã de acertar.
No que diz respeito à educação religiosa, a ênfase no acertar é bastante forte, ou melhor, a ênfase no erro, no pecado é muito forte, pois quem quer errar, quem quer pecar?
Todo mundo é incentivado a ser certinho, semi-deuses...
Ninguém fala abertamente que em se tratando de seres humanos, muitas vezes o que é certo só vem depois de se errar bastante e de se pecar bastante também...
Deus nos fez únicos, insubstituíveis, diferentes, diversos...
Somos de etnias diferentes, falamos línguas diferentes, produzimos culturas diferentes, entretanto há sempre uma instituição social tal como igreja, escola, a indústria cultural e até mesmo a família tentando nos padronizar, tudo isso para nos controlar melhor.
Como vc bem destacou no seu texto, existem vivências que são coletivas, isto é, todo mundo passa por elas, tais como infância, adolescência, juventude, adultícia e a maturidade, só que a maneira com que cada um vive cada tempo é particular e só a nós diz respeito.
Eu fico muito, muito irritada quando alguém pergunta pelo neném que ainda não veio, ou quando alguém teima em enxergar uma barriga de grávida debaixo das minhas batas (que eu adooooooooro usar desde cça) ou de um vestidinho mais solto.
Eu acho que deveriam me perguntar sobre qualquer coisa, sobre meus projetos, sobre o que estou fazendo no momento, meus sonhos, meu casamento, mas sempre me perguntam pelo raio do filho e de uma forma como eu só fosse ser alguém depois de parir... Quando respondo que não penso nisso ou que não tenho planos para filhos em curto ou médio prazo, vc precisa ver as caras...
Me sinto como se fosse de outro mundo, ou será que surtei?
Já ouvi tanta coisa como "Vc vai se arrepender!!!" (uma profecia ou uma maldição?!),
"Como vai ser quando envelhecer, quem vai cuidar de vc?" (Então quer dizer que parir é um ótimo investimento para o meu futuro?)
"É tão bom... vc não sabe o que está perdendo..." (Sei sim queridinha, será que vc não entende que o que é bom para vc, não é bom para mim?!).
Tem ainda aqueles que dizem que concordam comigo, dizem que tudo bem, que ainda sou nova, mas acreditam que um dia ainda vou me converter... E se não?!
É muito difícil encontrar alguém que respeite e que admire minha decisão, meus pensamentos e o que eu sinto a respeito de ser mãe... realmente Lígia não é fácil encontrar alguém que me entenda, que nos entenda...
Vejo no teu texto um desabafo e também um clamor por autonomia.
Um clamor pra dentro de você mesma.
As pessoas nos irritam com estes comentários insensatos, mas vejo ainda forças internas que nos empurram em direção ao que os outros pensam que é certo. Permita-me dizer que a luta não é tanto com que está fora de nós, mas com o que está dentro de nós.
Autonomos - Auto = si mesmo Nomos = leis
Sermos autonomos é sermos donos de nossas próprias leis.
A glória do ser humano é ser autonomo, mas a forma como fomos e como somos criados conspira contra a autonomia.
Uma vez comecei a me questionar sobre o porque ficava tão reativa quando alguém me perguntava se eu não achava que estava passando da hora de ter um neném, diante disso me questionei se estava bem resolvida com a questão e na verdade não encontrei nada de "errado" em mim, assim como não há nada de "errado" com muitas que não querem casar, com os insatisfeitos com suas profissões e que decidem mudar mesmo tendo 70 anos ou com qualquer outro que se lixe com as convenções sociais. Errado mesmo era a minha vontade de fazer o certo só para agradar os outros, para ser reconhecida como a certinha, como a boazinha violentando a mim mesma.
Seu desabafo serve para nos mostrar que viver em sociedade, na sociedade e diante da sociedade exige uma alta dose de equilíbrio porque a socialização desde a primeira infância é importante para que não nos tornemos individualistas, nem insensíveis às necessidades alheias, mas de forma alguma não podemos em função do grupo, ou dos grupos perder contato com aquilo que nos faz essencialmente únicos, especiais, diferentes...
Essas cobranças não mudam, vão sempre querer nos enquadrar nos moldes socialmente aceitos e o que temos que fazer amiga é enfrentar as certezas dos outros aceitando as suas incertezas ao nosso respeito, talvez isso os escandalize e os faça pensar...
Se bem que há os que são tão condicionados que há muito não fazem isso, se é que fizeram um dia...

bjssssss
Paula 16/10/09

O que é certo?! Um diálogo entre duas mentes inconformadas... Parte I Ligia S Santos

O que é certo?
Meditando sobre a vida não chego nem a 50% do que ela realmente representa. Aliás, acho que nem a 10%. Seria muita pretenção.
Enfim, sei que nunca chegarei a uma porcentagem significativa, mas independente disso, não deixo de meditar sobre ela.
Vivo numa sociedade de cobranças sem fim. Nasci... como é linda, mas está tão magrinha ou está gordinha essa bebê...
Quando criança... essa menina não fala, o gato comeu a língua dela? Parece bicho do mato...
Adolescente... quanta espinha, precisa fazer um tratamento. já ficou mocinha? já tá namorando? vai fazer vestibular para quê?
Jovem... já terminou a faculdade? e o emprego? já casou? se casei, quando vem o primeiro fiho? com o primeiro filho, e o segundo?
Adulta... ainda não casou? largou a profissão e está em busca de outra? mas já está velha para isso... que roupa é essa?
Idosa... ainda quer estudar? vai casar de novo? como assim, dançando nessa idade?
Fases... são apenas fases... não impotam...
Quem determina o tempo interno sou eu. Já me basta ser escrava do tempo cronológico e fisiológico.
Quem determinou que existe tempo certo para casar, ter filhos ou não tê-los, para retomar o sonho de adolescência, para, enfim, fazer o que se quer?
Já me basta ser escrava de mim mesma, dos meus pensamentos, traumas, culpas, complexos, neuroses, preconceitos...
Quero liberdade para fazer o que quiser e quando quiser sem ter que dar satisfações a ninguém...
Estou cansada das minhas próprias cobranças, ainda tenho que aturar as dos outros? Não, mil vezes não!!!!!
A vida é efemera, e por isso não tenho tempo a perder procurando o que é certo e o que é errado. Esse conceito é transcendental. Nunca será totalmente revelado.
O que me faz feliz e não fere ao outro, para mim é certo. Acho que estou sendo pretenciosa, mas é o que penso.
Não vou desistir do que acredito, mesmo que tenha passado da idade...

Paula, pode falar o q quiser, confio plenamente em vc. bjussss