sexta-feira, 12 de março de 2010

Transporte Coletivo Urbano: "Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come".


Acabo de ler o ranking das empresas de ônibus com o maior número de reclamações divulgado pela Secretaria Municipal de Transportes Urbanos, e verifiquei que a Empresa Transportes Estrela está no 23º lugar num total de 41 empresas. Acho que há algum equívoco aí, porque a Empresa Transportes Estrela responsável pela linha 711 (Rocha Miranda – Rio Comprido) presta um péssimo serviço à população e em minha opinião deveria figurar entre as primeiras do ranking.
Ir e voltar do trabalho todos os dias deveria ser uma tarefa que no mínimo não acrescentasse mais estresse além daqueles vividos no trabalho. Será que não basta as 8, 10 o 12 horas diárias que nós dedicamos ao trabalho todos os dias? Alguns de segunda a sexta, outros de segunda a sábado e ainda outros de Segunda a Domingo. Além dos desafios que vivemos em nosso trabalho ainda temos que suportar o desserviço que algumas empresas de transporte nos impõe. É imposição mesmo e não oferta como costuma dizer.
Depois da Metro Rio ter feito aquela cagada (perdão pela expressão, mas não pude encontrar outra) da linha 1 A, ter aumentado o tempo de viagem e também o número de usuários, desisti de ir para o trabalho de Metrô. Antes dessa trapalhada da Metro Rio, viajar de metrô já me incomodava porque eu me sentia mais bicho do que gente. Ora eu me sentia uma sardinha, ora eu me sentia um boi, tudo menos gente, porque o desserviço prestado é desumano. Eles vivem com uma conversinha de que estão melhorando, de que querem melhorar, mas não verdade o que eles querem é ganhar dinheiro. Uma passagem que custa R$ 2,80 para fazer uma viagem desconfortável ao extremo com todos aqueles problemas que a gente já sabe, tais como: superlotação, falta de ar condicionado, panes... E que ainda acaba com a minha auto-estima porque afinal de contas eu sou gente e gosto de ser tratada como gente!
Esquecendo que o Metrô existe, uma outra opção que existe para chegar ao meu trabalho é o ônibus da linha 711 da Empresa Transportes Estrela. Para começar esta maldita empresa não é organizada quanto aos intervalos em que os ônibus saem da garagem, já esperei 40 minutos no ponto por um ônibus e a queixa não é só minha, todos os dias ouço pessoas dizendo que esperam o mesmo tempo entre um ônibus e outro. Penso que se diminuíssem o intervalo entre um ônibus e outro no horário do rush já teríamos uma melhora significativa, mas... Vamos ao outro problema, os motoristas desta maldita linha não param quanto há passageiros para embarcar. Eu não sei qual o problema deles, sinceramente. Eu embarco em Del Castilho, em um ponto próximo à LBV e já fiquei em uma situação em que quatro ônibus passavam por mim e não paravam, justamente naquele ponto que é obrigatório para eles. Em janeiro deste ano a empresa colocou um fiscal ali e então todos os motoristas agora param naquele ponto como mocinhas bem comportadas. O terceiro problema é a superlotação dos carros, nas férias escolares os ônibus circulam lotados, mas não superlotados. De vez em quando eu desejo que haja um ônibus somente para os estudantes das escolas públicas, porque só assim haveria mais espaço, mais “conforto” nos ônibus para os trabalhadores, assim como eu. Mas entendo e defendo como profissional da educação o direito que estes estudantes tem à escola e nisso está implícito o direito que estes estudantes tem de viajar nos ônibus. A passagem destes estudantes saem de graça para eles, mas não é uma boa ação, um favor que a empresa faz aos mesmos, o governo municipal e estadual paga as passagens destes estudantes, este serviço não sai de graça, ele sai do orçamento do governo e também dos nossos bolsos. Estou me estendendo neste assunto porque as Empresas de ônibus querem fazer parecer para nós passageiros e até mesmo para seus funcionários que este serviço sai de graça. Agora nesta onda de superlotação de ônibus tenho viajado bem próxima dos motoristas e já vi alguns fazerem questão de não parar para estudante, pois eles “querem e precisam” chegar à garagem com receita, outros já tem uma antipatia “natural” mesmo, talvez seja porque não foram beneficiários do mesmo direito. A empresa sabe quantos passageiros transporta e sabe quais são as épocas de pico, não seria bom para ela se disponibilizasse um número maior de carros para circular? Não entendo esta lógica imbecil em que se lucra com a insatisfação daqueles que propiciam a existência e a permanência da empresa no mercado.
Assim como eu muitos se sentem insatisfeitos, mas o que mais me entristece é que eles não acreditam no poder que tem. Quantas vezes eu já falei em reclamar com a própria empresa através do serviço de ouvidoria ou através da Secretaria Municipal de Transportes Urbanos e já ouvi que reclamar não dá em nada. A gente vive neste país onde impera a imunidade e população não acredita mais em nada, mas por outro lado há conformismo, ignorância do direito que temos de reivindicar por melhores serviços. Me entristeço porque a maioria das pessoas com quem viajo se contentam em serem tratadas de forma desumana pelas empresas de ônibus e indiretamente por aqueles que elas mesmas elegeram. Eu concordo com a idéia de que temos o governantes que merecemos. Para muitas dessas pessoas governar bem é dar cheque cidadão, bolsa família, apartamento do PAC. Não estou dizendo que estes programas não são necessários, o que quero dizer é que é preciso ir além disso.
Lamento também porque as melhorias previstas e propostas para a situação do transporte urbano só vão acontecer por causa da Copa do Mundo em 2014 e das Olimpíadas em 2016. Se não houvesse este eventos, permaneceríamos todos num inferno sem ninguém que pudesse nos salvar. Mesmo assim estou pagando para ver onde isso tudo vai dar e aproveito este espaço para protestar porque afinal de contas sou oprimida, mas sou gente.

Paula Regina Araújo de Azevedo Silva

quarta-feira, 10 de março de 2010

Parar de Pensar

PARAR DE PENSAR

Do livro "Doidas e Santas" da Martha Medeiros

Você encontra uma lâmpada mágica no meio do deserto, dá uma esfregadinha e de dentro sai um gênio meio afetado, que concede a você a realização de um desejo. Humm...
Você pediria um segundinho pra pensar? Eu não pensaria um segundo. Aliás, o meu desejo seria justamente este: por bem mais que um segundo, digamos por dois dias, gostaria de parar de pensar. Parar totalmente de pensar. Ué, Saramago escreveu sobre um lugar em que as pessoas paravam de morrer. Salve a ficção, a casa de todos os delírios. Que tal, temporariamente, parar de pensar?
Eu acordaria e não pensaria em nada. Sendo assim, voltaria a dormir, sem mais despertar todo dia às seis da manhã, como sempre faço, pensando em mil tranqueiras e coisas a providenciar. Mas parar de pensar não impede a fome, então uma hora eu teria que levantar da cama e ir pra mesa - quem decidiu o cardápio? Aleluia, eu é que não fui. Não penso mais nessas coisas.
Abro o jornal, leio todas as matérias e não me ocorre nenhum pensamento tipo: "É pró bolso destes malandros que vai meu imposto", "Não acredito que fizeram isso com uma criança" ou "Caramba, como fui perder este show?". Eu não penso, portanto, não sofro.
Passo por um espelho e não dou a mínima para o que vejo. Espinhas, olheiras, cabelo fora de moda, danem-se. Moda, falei em moda? Era só o que me faltava ocupar meu cérebro com essas trivialidades.Tudo vazio lá dentro, um descampado, um silêncio, o paraíso.
Você não pensa mais em como aumentar sua renda mensal, em como fazer seus filhos comerem melhor, em como arranjar tempo para deixar o carro na revisão, em como encontrar
um lugar barato para passar as férias, em como ajudar seus pais a atravessarem a velhice, em como não ser indelicada ao recusar um convite, em como ter coragem para chutar o balde, em como responder um e-mail irritante, em como esconder dos outros suas dores, em como arranjar tempo para ir ao médico, em como você tem medo de que as coisas nunca mudem e, se mudarem, em como enfrentar. Você não precisa pensar em mais nada, você pediu ao gênio e ele, camarada, atendeu. Aproveite, são apenas dois dias.
Não precisa ter opinião sobre o Lula, sobre o Alckmin, sobre a segurança do espaço aéreo, sobre a reviravolta do clima no planeta, sobre o último disco do Caetano,
sobre o vídeo da Cicarelli, sobre os resultados do Brasileirão. Você está de férias de você. Não tem nem motivo para chorar. Seu amor se foi? Tudo bem. Você não
pensa em rejeição, não pensa que ele tem outra, não pensa que vai surtar. Jogue fora os antidepressivos, não precisa nem mesmo passar creme anti-rugas. Por dois dias, seu humor está neutro e suas rugas se foram. Esse seu olhar sereno, essa sua fala pausada... Nossa, sabia que você ficou até mais sexy?
Tudo isso é uma viagem sem sentido. Concordo. Mas vai dizer que, às vezes, acionar o pause no cérebro não lhe passa pela cabeça?

Martha Medeiros
11 de outubro de 2006

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Pensando em Ricardo...

Na semana passada eu estava lendo o livro "Doidas e santas" da Martha Medeiros e numa de suas crônicas me deparei com uma passagem interessante que me fez lembrar de um amigo, o Ricardo. Considero o Ricardo um amigo e não chamo qualquer um de amigo. Somos pessoas completamente diferentes, de mundos e universos completamente diferentes, mas considero o Ricardo meu amigo, nossas almas tem pontos em comum, aliás temos até bastante coisas em comum: estudamos na UERJ juntos e somos Pedagogos!
Mas vamos ao que interessa, a passagem da Martha que me lembrou o Ricardo...

"...Pessoas com vidas interessantes não tem fricote. Elas trocam de cidade. Investem em projetos sem garantia. Interessam-se por gente que é o oposto dele. Pedem demissão sem ter outro emprego em vista. Aceitam um convite para fazer o que nunca fizeram. Estão dispostas a mudar de cor preferida, de prato predileto. Começam do zero inúmeras vezes. Não se assustam com a passagem do tempo. Sobem no palco, tosam o cabelo, fazem loucuras por amor, compram passagens só de ida (...)
Uma vida interessante é menos burocrática, mas exige muito mais".


Eu acho que gosto de você tanto assim, porque você é tudo o que não sou...
Eu vivo sonhando em ter uma vida interessante, legal vai ser quando eu parar de sonhar e ter...
Mas tê-la implica em tanta coisa... Implica em rompimento e romper com tanta coisa... Fui criada para me enquadrar e enquadrar outros...
Aos pouquinhos e da minha maneira vou fazendo uma história interessante, vc vai ver!!!
Imagino o quanto você paga caro por ser quem é, mas de coração digo que pessoas como você me inspiram, não é à toa que este blog se chama "Transgredindo a Ordem"

Um grande abraço
Paula

Hoje acordei gorda


É o nome de um dos livros que estou lendo no momento (Stella Florence, Editora Rocco, 1999.) e que reúne crônicas leves e bem humoradas sobre a relação das mulheres com o seu peso. O título me chamou a atenção porque um dia desses aí eu também acordei gorda rsrsrsrs... Na verdade quem diria que aquele varapau de 10, 12, 15 anos atrás iria também viver seus dilemas com a balança? Pois é, eu também tenho minhas brigas com a balança. Com a balança não, tadinha, ela não tem culpa de nada, só mostra aquilo que às vezes insistimos em não querer admitir: estamos gordas... Tenho sim minhas brigas com o meu peso, eu que pensava que fosse permanecer esquálida para sempre. Alguns (os que me conhecem a menos de 10 anos) diriam que é palhaçada minha, que eu não tenho motivos para isso... Pior é quando retorno à minha cidade natal, onde a imagem que as pessoas tem de mim em suas memórias é daquela garota magra de doer e quando me vêem dizem; “nossa como você está fofinha!”. Eu não tenho vontade de morrer, mas de matar, se é que alguém me entende... Tudo bem, eu não chego a ser uma king size convencional (e o que seria uma king size convencional???Geralmente é uma mulher grande, mas este conceito é muito variável...), mas chegar aos 66 quilos para mim é estar pra lá de gorda... Um detalhe, eu tenho 1,60.
A primeira vez que tentei emagrecer foi antes do meu casamento, há mais de 7 anos atrás. Eu estava com 58 quilos e na verdade aquilo não era nenhum incomodo para mim, pelo contrário, eu achava até algo bom, como já disse sempre fui um varapau, com pernas grossas, é claro, mas um varapau, sem mais nada de interessante, sem grandes atrativos, sem curvas, sem peitos grandes, sem bunda grande... Isso para uma mulher é uma grande humilhação, acho que foi por isso que decidi tentar ser inteligente, tentar ser espiritual, afinal de contas eu tinha que compensar este déficit de alguma forma rsrsrsr... Até os 22 anos eu não passava dos 50 quilos, não podia nem doar sangue, que humilhação! Até que eu tive uma segunda puberdade e meu corpo começou a mudar, eu ainda não tinha conquistado peitos grandes, nem bunda grande, mas meu corpo deixou de ser infantil para se parecer mais com o corpo de uma mulher. E também há um fato, meu metabolismo começou a mudar, eu era magra, muito magra, mas comia como um pião de obras e comia tudo que engorda sem engordar, isso não é maravilhoso?! Eu era muito, mas muito feliz e não reconhecia, snif... Até que aos 25 anos, noiva, com data para casar, um infeliz atravessou o meu caminho, um opressor, um cara que disse (e ele falou sério) que devolveria sua mulher caso ela se tornasse um tribufu gordo, o resultado foi que, depois de quase 30 anos e 3 filhos, a mulher continua com o mesmo peso de quando se casou... Sua genética deve lhe proporcionar esta peripécia, mas imagino também o preço emocional que ela deve pagar para manter aquele mesmo corpo de 30 anos atrás, como se os anos, os filhos e etc e tal não tivessem passado por ali... Mas, vamos ao opressor, eu o considerava muito e suas opiniões eram ditames divinos para minha vida (eca!), ele cruzou o meu caminho num dia em que eu estava de biquíni e disse que eu estava ótima com exceção da minha barriga um tanto quanto proeminente. Eu acho que foi por causa deste maldito comentário que eu decidi perder peso para ficar “mais bonita” no meu vestido de noiva. Eu disse maldito comentário porque as mulheres sempre foram e sempre são oprimidas. As coisas mudaram bastante, conquistamos o mundo além lar, mas a cada semana ouço no noticiário ou leio na Internet a notícia de que alguma mulher, em algum lugar, se submeteu a uma lipoaspiração e morreu, o que é isso senão opressão?! Agora somos oprimidas e escravizadas de uma outra forma. O que são as celebridades femininas que formam a opinião das mulheres brasileiras? Pessoas fúteis, imbecis, mal resolvidas, mal orientadas, na maioria das vezes atrizes que possuem dinheiro e recursos para manter o corpo em forma, para manter o corpo aprisionado dentro daquele espartilho invisível que molda seus corpos. São mulheres surreais... E são estes tipos de mulher nas quais nos baseamos para manter nossos corpos domados, subjugados. Um dia desses, teve uma delas (você com certeza sabe de quem estou falando) que num discurso também surreal disse que não comia chocolate há 5 anos a fim de manter a boa forma. Tudo bem, eu sou daquelas que não come chocolate (em barra) nem uma vez por mês, quem sabe três vezes ao ano, ou quando o corpo pede, na maioria das vezes o como nas tortas de chocolate (que a-d-o-r-o), não sou chocólatra como tantas tem orgulho em afirmar e muito menos faço apologia à ingestão indiscriminada de chocolate, mas faça me o favor, chocolate não é nenhum veneno! A não ser que para esta pessoa, ele tenha sido uma espécie de crack, cocaína, maconha, álcool ou qualquer outro entorpecente, mas isso qualquer tipo de comida e não apenas o chocolate pode ser... Por que o que faz mal não é a comida, mas a relação que estabelecemos com ela...
Mas, voltando ao meu primeiro regime, decidi fechar a boca por minha própria conta e perdi 3 kilos, isto é de 58k cheguei a 55k, e isso em pleno dezembro onde todo o mundo enfia o pé em termos de comida. Depois fui me consultar com uma nutricionista que estabeleceu uma meta para mim e prescreveu uma dieta, onde eu deveria chegar aos 53k até a data do meu casamento em abril. Como eu sou muito obediente, em 12/04/2003 eu estava linda, maravilhosa e magra no meu vestido de noiva pesando 53k. Mas foi como uma brincadeirinha, nada muito sério afinal de contas eu não tinha tendência pra ser gorda, nem iria engordar depois do casamento como todo mundo e até a minha vozinha querida estavam me praguejando.
Primeira desilusão certeira do casamento: com o casamento vêm os quilos a mais... Vida de casado, aquela comida toda sua, com tudo que você gosta, até porque quem escolheu e pagou foi você, hehehehe... O pudim você já não divide mais com 5, 6 pessoas, é só com uma que se for como meu marido, não é afim de doce e nem quer comer pudim naquele dia... Foram os bolos, os pudins, os fricassês, os strogonoffs, as lazanhas, os merengues de banana, os biscoitos, as tortas salgadas, e mais um fator novo, a ansiedade. Quando mais nova e solteira, minha ansiedade emagrecia, aliás tudo contribuía para que eu perdesse peso, agora ansiedade engorda e com ela eu nem preciso comer muito para fazer estrago, em fevereiro de 2006, engordei quase 6 quilos em um mês, cheguei aos 65,5k. Agora não era brincadeira, era de verdade, eu estava gorda de verdade e isso tinha que parar... Sem nutricionista, estudando nutrição por conta própria através da Internet, montando meus próprios cardápios, reeducando meus hábitos alimentares, caminhando e com muita determinação 1 ano após fechar minha boquita, tinha perdido 10 quilos, cheguei a pesar 55k de novo... Dois anos depois, em fevereiro de 2009, no carnaval estava com minha mãe e subi numa balança 64,4, creeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeedo!!! Dois dias depois eu já estava deixando de comer minhas besteiras favoritas, 5 meses depois, sem exercícios físicos e com muita determinação estava 7 quilos mais magra. Hoje, destes 7 quilos que perdi, readquiri quase 3, mas estou vigiando e é claro quero perder estes trastes novamente. E assim vai minha luta...


quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Um ping pong com Paula

Achei legal esta listinha que vi no blog da Anabel Cavalcanti e copiei

Eu quero... Aprender a fazer as coisas mais devagar e ter uma vida com mais qualidade.
Eu tenho... Muita determinação.
Eu não tenho... Paciência.
Eu gostaria de ter... Um espírito pacato e tranqüilo, além de um carro para passear bastante.
Eu gostaria de não ter... Problemas na coluna.
Eu acho... Tremendamente desagradável pessoas que se acham o umbigo do mundo.
Eu odeio... Ter que trabalhar 10 horas por dia.
Eu sinto saudade... Das brincadeiras de infância na casa da minha avó e dos meus companheiros inseparáveis que hoje não são tão companheiros assim...
Eu faço... Pilates.
Eu não faço... Musculação, nem lipoaspiração.
Eu fiz e não faria de novo... Tentar mudar as pessoas à força.
Eu fazia e deixei de fazer... Ir à igreja como uma beata.
Eu escuto... Música no ônibus cheio para fingir que estou num lugar bem melhor...
Eu cheiro... Flores, Livro novo, cédulas novas que saem do caixa eletrônico (para desespero do meu marido...).
Eu imploro... Deus, quero tanto ganhar mais, trabalhando menos...
Eu me pergunto... Por que não sinto desejo de ser mãe?
Eu me arrependo... Apenas de não ter vivido com mais qualidade antes...
Eu amo... Meu marido.
Eu sinto dor... Na coluna cervical.
Eu sinto falta... De mais contato com a natureza, de tomar sol, banho de cachoeira, de caminhar em lugares arborizados e respirar ar puro.
Eu sempre... Penso na vida (seja de forma certa ou errada rsrsrsrs).
Eu não fico... esperando acontecer, eu faço acontecer!!!
Eu acredito... Na bondade e na misericórdia de Deus.
Eu danço... Zouk.
Eu canto... Quando estou relaxada e feliz.
Eu choro... Quando não consigo me conter e de preferência em espaços privados.
Eu luto... Por uma vida mais confortável.
Eu escrevo... Para me manter sã, e por prazer, é claro!
Eu ganho... Quando escuto os sinais que meu corpo dá.
Eu perco... Quando sou rígida e inflexível.
Eu nunca... Fui santa (Graças a Deus!)
Eu estou... Em um longo processo de mudança.
Eu sou... Uma mulher muito agitada, muito elétrica!
Eu fico feliz... Quando sou surpreendida ou quando ando de bicicleta na Lagoa Rodrigo de Freitas num dia ensolarado.
Eu tenho esperança... De que estou me tornando uma pessoa mais centrada.
Eu deveria... Trabalhar num lugar onde tivesse espaço para desenvolver minhas habilidades.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Mau humor crônico é doença e exige tratamento

KARINA KLINGER

Mau humor pode ser doença --e grave! Um transtorno mental que se manifesta por meio de uma rabugice que parece eterna. Lembra muito o estado de espírito do Hardy Har Har, a hiena de desenho animado famosa por viver resmungando "Oh dia, oh céu, oh vida, oh azar".Distimia é o nome dessa doença. Reconhecida pela medicina nos anos 80, é uma forma crônica de depressão, com sintomas mais leves. "Enquanto a pessoa com depressão grave fica paralisada, quem tem distimia continua tocando a vida, mas está sempre reclamando", diz o psiquiatra Márcio Bernik, coordenador do Ambulatório de Ansiedade do Hospital das Clínicas (HC).O distímico só enxerga o lado negativo do mundo e não sente prazer em nada. A diferença entre ele e o resto dos mal-humorados é que os últimos reclamam de um problema, mas param diante da resolução. O distímico reclama até se ganha na loteria. "Não fica feliz, porque começa a pensar em coisas negativas, como ser alvo de assalto ou de seqüestro", diz o psiquiatra Antônio Egídio Nardi, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro.Se você conhece alguém assim, abra os olhos da pessoa, porque raramente o distímico pede ajuda. Ele não se enxerga. "Para a maioria dos pacientes, o mau humor constante é um traço de sua personalidade. A desculpa pela rabugice recai sempre no ambiente ao seu redor, o que inclui o tempo, o chefe ou a sogra, por exemplo", diz Nardi.O bancário João (nome fictício), 40, diagnosticado oito anos atrás, confirma: "Eu achava que era algo que vinha desde a infância, que fazia parte da minha educação. Quando o médico disse o que eu tinha, foi como tirar um peso das costas".Dele e da mulher também, a secretária Helena (nome fictício). "Ele sempre arranjava algum motivo para reclamar. A torneira da cozinha quebrava, e ele via aquilo como se fosse o fim do mundo. Eu vivia em tensão. Fazia de tudo para poupá-lo do dia-a-dia, mesmo assim ele encontrava algo para reclamar", conta ela. A situação piorou quando a intolerância passou a mirar os filhos. "Fomos procurar ajuda, mas demorou anos para alguém acertar o diagnóstico."Esse transtorno mental atinge, pelo menos, 180 milhões de pessoas no mundo, que, quando não tratadas, tendem a se isolar. "Levantar da cama era um martírio. No chuveiro, já começava a me angustiar. Pensava nas horas em que ia ficar na marginal, no papo monótono dos colegas de trabalho e no dia que vinha pela frente, cheio de decepções. Nada tinha graça", conta a executiva Fernanda (nome fictício), 37.A doença não deve ser subestimada, pois o portador corre um risco 30% maior de desenvolver quadros depressivos graves. "Sem contar que também pode levar as pessoas ao consumo de álcool ou outras drogas, pois elas se iludem achando que assim acabam com a irritação", alerta Nardi.O mau humor é herdado e, em geral, manifesta-se na adolescência, desencadeado por um acontecimento marcante. Porém, como essa fase da vida já é, de modo geral, conturbada, há dificuldade de identificar a doença.Aliás, quem tem distimia costuma procurar ajuda só quando ela já evoluiu para um quadro depressivo grave. "O desconhecimento prevalece nos primeiros anos. Essas pessoas aprendem a funcionar irritadas. Acham que, por ser um traço de personalidade, o problema é imutável. Um erro freqüente", alerta Bernik.Foi o caso de Maria Lucia (nome fictício), funcionária pública, que descobriu a distimia quando foi procurar ajuda psiquiátrica, há três anos. "Eu pensava que era depressão, não sabia da existência do transtorno. Sempre desconfiei do meu comportamento. Era conhecida por dar shows de mau humor, falar alto, ofender as pessoas; meu marido tinha até medo de mim", diz ela.Maria, 53, tem certeza de que a sua doença é de família. "Minha mãe e minhas irmãs têm o mesmo problema. Recentemente, conversando com seus maridos, cheguei à conclusão de que a impaciência é uma característica familiar. Minha irmã caçula, aliás, já está procurando ajuda", conta.O mau humor patológico não precisa ser eterno. "Poucos sabem que a distimia pode ser tratada com a ajuda de medicamentos antidepressivos associados à terapia, cuja base é a psicologia cognitiva", diz o psiquiatra José Alberto Del Porto, da Unifesp.Segundo a psicóloga Mariângela Gentil Savoia, que atende distímicos no HC, a terapia leva o paciente a vivenciar suas aflições. "O objetivo é ensinar uma nova forma de pensamento. Se ele não suporta sair de casa, sintoma comum na distimia, forçamos os passeios. A idéia é que ele aprenda a sentir prazer novamente", diz Savoia.Já as causas, como ocorre na depressão, estão em um possível desequilíbrio químico que envolve uma série de neurotransmissores em regiões do cérebro que comandam o humor, como o sistema límbico, o hipotálamo e o lobo frontal. "Daí a eficácia dos antidepressivos, cuja função é restabelecer esse equilíbrio químico", diz o psiquiatra Diogo Lara, da PUC-RS.Para certificar-se de que a rabugice é mesmo patológica, os sintomas devem persistir por, no mínimo, dois anos. Se a pessoa for mulher, as chances de haver distimia dobram --a variação hormonal do organismo feminino explica a desvantagem.E, se o mau humor patológico tem remédio, o mau humor "natural" também. Vários fatores interferem no humor. O cheiro, por exemplo, que é capaz de abrir o sorriso no rosto de um trombudo. E mais: ao contrário do que se pensa, o humor melhora com a idade!

Sobre Pessimismo e Pessimistas


Atire a primeira pedra quem nunca curtiu uma fossa, ficou de bode durante alguns dias, semanas ou até meses? Até o mais otimista dos otimistas têm seus revezes que o tiram do alto, pois ninguém é positivo, otimista o tempo todo.
Quero falar aqui não do pessimismo ocasional do qual todos já foram vítimas, mas do pessimismo crônico, pois eu acho desagradável ter que conviver com pessoas lamurientas, que sempre vêem o lado negativo das coisas, que são viciadas em reclamar da vida e esperam sempre o pior de tudo e de todos. Mais desagradável ainda é quando elas insistem em afirmar que seu sofrimento é pior do que o dos outros, parece até que quanto mais sofrem, melhor fica para elas... Não sei bem o que sinto por causa do comportamento dessas pessoas, se pena ou raiva! Dá vontade de sacudir e dizer: Se enxerga!! Acorda pra vida!!!!
Há quem pense que podemos mudar, influenciar, ou até salvar os casos de pessimismo crônico, eu não concordo com isso, não acredito que possamos salvar alguém desse tipo de patologia, bem como de nenhum outro. É bem verdade que estamos no mundo para ajudar e influenciar positivamente as pessoas, mas em muitos casos de pessimismo, a pessoa não quer mudar, nem ser realmente ajudada, pois seu pessimismo é a forma escolhida por ela de se relacionar com o mundo, seu derrotismo é uma forma de atrair as atenções para si. Como “lhe faltam bons atributos”, ele espera misericórdia e a compaixão dos outros sempre reclamando de tudo, falando de si o tempo todo e monopolizando as conversas com seus problemas.
Não quero afirmar que não acredito na mudança das pessoas, pelo contrário, acredito na mudança de qualquer pessoa por pior que seja, desde que ela queira e assuma a responsabilidade pela sua própria vida. Também sei por experiência própria que mudar hábitos e comportamentos enraizados leva tempo e não é tão fácil como muitas vezes imaginamos. Para qualquer pessoa iniciar um processo de mudança é necessário assumir a responsabilidade pelos seus próprios problemas... Para o pessimista assumir sua responsabilidade na solução de seus problemas é bastante difícil, pois ele mesmo não faz nada para mudar porque para ele o problema está sempre no outro, nos outros, nas circunstâncias... O pessimista afirma que sempre é infernizado pelos outros ou por algo que está fora dele e não consegue perceber como inferniza e chateia os outros, como intoxica o ambiente com seu baixo astral, com suas críticas, com suas lamúrias e reclamações, com sua falta de leveza e alegria. Não subestime os poderes de um pessimista, ele infelizmente tem poder para acabar com sua festa, interagir com uma pessoa dessas é uma luta, pois o tempo todo tenho que estar armada com um escudo para não ser atingida pelas flechas de baixo astral, agonia e tristeza ou então tenho que entrar numa redoma de vidro à prova de som para me proteger destas músicas macabras cujas influencias são mortais.
Isso mesmo, influências mortais! De tanto falar coisas ruins, sentir coisas ruins, pensar coisas ruins e acreditar em coisas ruins o pessimista gera doenças que vão se manifestar em seu corpo. Invariavelmente os tipos pessimistas desenvolvem problemas cardíacos, depressão, baixa imunidade e muitos deles vivem com uma saúde precária, enfim, neste afã de celebrar mais o mal do que o bem, os pessimistas literalmente vivem menos.
Além disso, o pessimista é solitário ou tem relações sociais problemáticas, vivendo de poucos amigos que o suportam por graça e misericórdia por que todos se cansam da sua falta de habilidade de se colocar no lugar dos outros, de se colocar como líder de sofrimentos pessoais, familiares e profissionais, de exagerar tudo o que sentem para atrair atenção e de sempre exaltar o pior de tudo e todos.
Se você é otimista, ou tem o humor equilibrado, por favor, não caia nesta armadilha, pois existem pessoas que possuem uma tendência muito forte para o pessimismo, mas ninguém está livre dele, qualquer um pode desenvolver esta doença após um trauma, uma perda ou uma desilusão qualquer.
Para quem é pessimista ainda há tempo de mudar, mas só se você quiser...

Abs
Paula